Quando Juliana Neiva iniciou os estudos em Administração de Empresas em João Pessoa, Paraíba, ela tinha imaginado seguir uma carreira corporativa. E isso parecia que ia acontecer quando ela começou a trabalhar na indústria de petróleo e gás em São Paulo.
Com o tempo, contudo, a sua carreira deu uma grande virada que ela jamais conseguiria imaginar. Juliana entrou para o setor de restaurantes, o que a levou a trabalhar em Nova York, onde liderou operações de grandes empresas e atuou ao lado de chefs renomados.
O primeiro passo da sua jornada aconteceu em 2009, quando virou coordenadora administrativa na Aerogeophysica América Latina, empresa de serviços de pesquisa geológica. Ainda em São Paulo, ela foi gestora de projetos da Petra Energia, com foco em controle financeiro e regulatório de contratos de concessão, mesmo período em que fez um MBA em Economia pela Fundação Getulio Vargas. Foi depois disso que aconteceu a grande mudança.
Ela desembarcou em Nova York para trabalhar no Major Food Group, empresa estadunidense conhecida por abrir e adquirir redes de restaurantes, com um portfólio de 50 marcas ao redor do mundo. Juliana chegou a ser responsável pela gestão de compras de 12 delas antes do feito profissional que lembra com mais carinho.
Depois do MFG, ela teve um momento de dúvida. Ela se sentia perdida, queria atuar mais em um papel de liderança, mas não sabia como poderia fazer o salto. Foi então que ela descobriu como uma mentoria pode revolucionar uma carreira. “Tive uma mentora, uma diretora de RH bastante experiente, que mudou tudo. Ela me guiou, me conectou com outras pessoas que não teria conhecido. Sem esse apoio, a minha vida teria sido outra”, afirma.
Em seguida, Juliana assumiu o cargo de diretora de operações do Grupo Fasano em Nova York. “Eu liderei a abertura do primeiro restaurante do Grupo Fasano. A implementação desse processo, da construção até a abertura, e a operação dessa unidade foi uma das minhas grandes conquistas “, completa. L
ogo depois, ela assumiu como diretora de compras e custos do Dinex Group, um conglomerado de 30 restaurantes de um chef francês com estrela Michelin chamado Daniel Boulud. É com essa memória na cabeça que ela atua como mentora.
Juliana diz que se foca em partilhar as suas experiências profissionais, em especial sobre trabalhar no exterior, mas também tenta atuar como um guia para o mentorado. “As pessoas querem saber como é trabalhar no mercado dos Estados Unidos, como sair do Brasil e dar esse salto para cá. Sempre marco as diferenças culturais, operacionais e corporativas desses dois mundos. Ser um guia é sempre o tom da minha mentoria”, diz.
Conectando outras pessoas
Juliana afirma que a decisão de se tornar mentora foi algo bastante natural, e ela encara quase como um processo de devolver o que recebeu. “Nos primeiros 15 anos da minha carreira, foi muito investimento em mim, nas coisas que eu queria para mim, mas chega um momento em que parece que vira uma chave dentro da gente”, afirma. Para ela, esse momento significou começar a tentar ajudar os outros. “Passei a me sentir mais realizada ajudando os outros, inspirando-os a fazerem algo que querem ou que talvez estejam sem muita motivação para fazer. Isso sempre me deixou muito feliz”, afirma.
Durante toda a sua carreira, Juliana foi capaz de construir uma rede de relacionamentos de que tem orgulho, com profissionais de qualidade de vários países. Ela se lembra da ajuda daquela diretora de RH e tenta fazer a mesma coisa que foi feita para ela. “Acho que essa foi uma grande sacada que eu também tento fazer com meus mentorados: conectá-los com outras pessoas”, diz.
Uma dessas conexões é com ela própria: tem grande prazer de participar de encontros “criados intencionalmente”, de conhecer pessoas que não conheceria por outros caminhos e que não teriam acesso a ela. E espera que a sua trajetória possa ajudar de alguma maneira. “A coisa que me marca muito na minha carreira é ter conseguido alcançar coisas inalcançáveis. Eu vim do interior da Paraíba e hoje sou uma diretora em Nova York em uma empresa grande”, conta. Juliana acredita que a sua história de vida pode servir de inspiração para profissionais mais jovens, fora dos grandes centros, que não tenham medo de sonhar alto.
Mentoria inesquecível
Juliana teve uma mentorada que não sai da sua memória. Uma mulher jovem, que tinha muita vontade de crescer, e não tinha problema nenhum em fazer absolutamente tudo o que lhe era recomendado: investir na sua imagem pessoal, postar no LinkedIn para criar uma marca, ler os livros que foram sugeridos. Mais do que isso, essa profissional sempre entrava em contato. Ela optou por mudar de trabalho e fazer um MBA porque também queria trabalhar no exterior. Por ser uma das suas primeiras mentorias, Juliana estava nervosa, pensando no que falar, com medo de que pudesse ser uma experiência estranha. “Mas tudo foi maravilhoso. Ela é uma menina que agarra todas as oportunidades que passam na vida e hoje tem uma carreira maravilhosa”, conta.



