Micheline Torres acredita que a principal marca das suas mentorias está em considerar trabalho e vida não como campos opostos, mas sim como dois lados de uma mesma moeda. “Não adianta negar. Quem não está bem no seu lado pessoal não consegue ter bom desempenho, não produz em sua plenitude”, afirma.
Com metodologia própria, baseada em autoconhecimento, gestão das emoções e gestão da energia, ela atende a lideranças e times em busca de alta performance sustentável, porque: “Sem qualidade de vida, as pessoas até entregam resultados, mas uma hora caem”.
Em sua trajetória recente como mentora, desde o período mais intenso da pandemia, ela tem atendido executivos de grandes empresas, como Coca-Cola, Vivo, Renner e Vale. E seu foco envolve sempre dar atenção especial aos assuntos relacionados com saúde mental.
Conhecendo o ThetaHealing
Em busca de autoconhecimento, 15 anos atrás, a coreógrafa Micheline Torres encontrou o ThetaHealing. Segundo ela, trata-se de “uma técnica energética que trabalha mudando o padrão de crença no subconsciente”.
Micheline conta que passou por uma transformação tão grande ao entrar em contato com a prática, no sentido de combater vieses de gênero, raça e outros, que decidiu se aprofundar no assunto. Estudou com a criadora da técnica, a estadunidense Vianna Stibal, se tornando instrutora master e uma referência no Brasil, onde começou a ensinar.
Junto com Marcelle Sampaio, sócia e esposa, já formou mais de cinco mil terapeutas e deu aulas para centenas de turmas.
O propósito em meio ao luto
Um trauma mudou para sempre a vida de ambas e as colocou no caminho que trilham hoje. Elas engravidaram, por inseminação artificial, mas perderam as duas crianças: Manu morreu cinco dias após ter nascido de Micheline; e Maria, ainda na barriga de Marcelle.
Na vivência do próprio luto, criaram o projeto Quero Vida Plena, com o propósito de levar o autoconhecimento para o dia a dia e valorizar a “vida agora”, apesar dos reveses imponderáveis que ela traz.
Certo dia, durante a pandemia, uma seguidora delas no YouTube – liderança global da Vale – as incentivou a levar essa proposta também para o mundo do trabalho. A impressão da seguidora era de que elas poderiam ajudar quem deseja crescer profissionalmente, mas sem adoecer com problemas mentais.
O método nas corporações
Quando levaram esses conhecimentos para as companhias, Micheline e Marcelle desenharam um método que batizaram de autoliderança plena.
Ele consiste em analisar a pessoa em quatro aspectos: mental, emocional, energético e espiritual. E abarca questionamentos como: que arquétipo de liderança eu estou performando? Meus pensamentos me aproximam ou me afastam dos meus objetivos? Consigo enfrentar os desafios sem me tornar refém das emoções? Com que tipo de energia estou encerrando o dia? Qual legado estou deixando nesse trabalho?
O foco central do método está em combater crenças limitantes – ou vieses inconscientes, que determinam tomadas de decisão. “Existem programações no subconsciente que direcionam a pessoa a acreditar que uma cadeira de diretor não é para ela”, exemplifica.
A mentora Micheline
A prática artística da dança, segundo Micheline, trouxe para ela a capacidade de se conectar com o ser humano de forma profunda – e, a partir daí, gerar transformação. Nas mentorias, isso significa: “Descer para além da ponta do iceberg e, finalmente, conseguir chegar às raízes dos problemas”.
Ser artista, especialmente no Brasil, também a ensinou a lidar com a precariedade e construir em cima das condições apresentadas. “Como não existe empresa ideal ou clima organizacional perfeito, esse pensamento também me guia quando estou mentorando”, afirma. Trazendo essa sensibilidade ao mundo corporativo,
Micheline se especializou em atender mulheres em cargos de liderança, que normalmente precisam se afirmar em ambientes machistas. “Aparecem temas como síndrome da impostora, hipervigilância com aparência e a cobrança silenciosa sobre maternidade, disponibilidade e ambição. São fatores bem comuns”, lembra.
Mentoria inesquecível
Micheline fez uma sessão com uma executiva experiente, mas que via o seu sucesso sobre bases frágeis. “Ela se perguntava como seguir crescendo sem adoecer e como liderar um time sênior, mas traumatizado com layoffs”, lembra. Durante a conversa, Micheline ouviu sobre o desejo da executiva de fazer diferença para o time, mas soube também de uma crise no casamento e na criação dos filhos. “Fui percebendo o quanto da vida pessoal desequilibrada estava dando o tom do trabalho dela”, diz. O trabalho da mentora foi mostrar que autodesenvolvimento seria a base do crescimento profissional. “Se ela não se nutrisse de uma estrutura mental e emocional para liderar, nenhuma estratégia passaria da segunda página”, acrescenta. “Acessamos a raiz que a fazia se abandonar em prol do trabalho, tornando-a uma líder ausente de si”, completa.



