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Mentores Fora de Série: Roberto Ascoli

Por top2you

Nascido na Itália, Roberto Ascoli, 64 anos, trabalhou pelo mundo todo: na Europa, na América do Sul, na Ásia e na África.

Na sua jornada, ele ocupou cargos de liderança em empresas como Unilever e Imperial Tobacco. Filho de um pai italiano e de uma mãe meio francesa, meio dinamarquesa, Roberto cresceu sem se importar muito com fronteiras.

A partir dos 2 anos, era enviado pelos pais para a França, no inverno, para aprender o idioma com os avós. No verão, viajava para países como Dinamarca e Suécia. Aos 14 anos, foi enviado para estudar em um colégio na Inglaterra. “Cresci com uma visão de mundo internacionalista”, conta.

Foi desse modo que ele também conduziu a sua carreira. Seu pai queria que ele estudasse em Milão, na Itália, mas ele optou por cursar Economia e Ciência Política na Universidade de Londres. Lá, começou a namorar uma estudante francesa que veio a se tornar sua esposa – e eles estão juntos até hoje. Quando os dois terminaram o curso, tiveram que decidir sobre o futuro. “Decidimos sair de Londres. Nós dois queríamos ver o mundo”, conta.

Vida de expatriado

O próximo passo foi descobrir como fazer isso, já que eles não tinham dinheiro para viajar como turistas. A solução foi encontrar um trabalho que permitisse realizar esse sonho. Ascoli, então, voltou à Itália e entrou como trainee em uma multinacional, a Unilever, aos 22 anos.

Como era bom em se comunicar, trilhou um caminho na área de marketing. Ele se lembra que, apenas um mês depois de ter começado a trabalhar, já disse, em uma avaliação anual, que queria ser expatriado. Cinco anos depois de entrar na empresa, foi trabalhar na França. Tornou-se gerente de marketing e passou três anos no país.

Depois, foi enviado para o Brasil e assumiu o cargo de diretor de produtos de lavanderia. Após três anos, migrou para a Inglaterra, como diretor de negócios e marketing. Passados mais dois anos, assumiu o cargo de diretor de negócios para a Ásia Central e Oriente Médio, na Índia. E, dois anos depois, foi para o Egito, onde chegou à vice-presidência de marketing e vendas para o norte da África, Oriente Médio e Turquia.

Ao longo dessa trajetória, Ascoli também levou a Unilever para mercados onde a empresa ainda não estava presente, como Birmânia, Laos, Camboja, Vietnã, Mongólia, Israel e Equador. Quando fez 40 anos, decidiu que já era hora de mudar de ares e deixar a Unilever.

Depois de um ano sabático, fez uma pós-graduação para ser coach de lideranças. A mudança de carreira ficou em compasso de espera, contudo, quando ele recebeu, e aceitou, a proposta da empresa alemã de perfumes Symrise. Nela, chegou ao cargo de vice-presidente sênior e ajudou a empresa a fazer o IPO na Bolsa de Frankfurt.

Depois de oito anos, saiu e foi trabalhar em Hong Kong, na China, como presidente para a Ásia e o Pacífico da Imperial Tobacco, gerindo 2 mil pessoas na região.

Aos 58 anos, com os três filhos já adultos, Ascoli decidiu que era hora de fazer uma pausa e devolver o que a vida havia lhe proporcionado, ajudando outros profissionais e empresas. Foi aí que ele iniciou as mentorias e deixou de lado a vida corporativa, atuando também em conselhos e apoiando startups. É sócio de uma pousada na região de Jericoacoara, no Ceará.

Hoje, passa parte do tempo em Ibiza, na Espanha, e na França, e viaja regularmente para ver os filhos na Inglaterra, na Suíça e no Vietnã, além de passar temporadas no Brasil. 

Preparação antecipada

Sempre que inicia uma mentoria, Roberto estuda um pouco sobre cada pessoa, analisa o LinkedIn dos profissionais e monta uma lista de perguntas ou tópicos para abordar durante a sessão.

Entre os vários temas discutidos, ele procura mostrar que é importante criar um ambiente em que não se tenha medo de cometer erros – porque só assim é possível impulsionar a inovação. “Se você não inova, você fica parado e os concorrentes saem na frente”, diz.

Roberto costuma dividir suas experiências nas mentorias, contando como agiu em situações semelhantes às que estão sendo debatidas. No final da sessão, procura fazer um resumo do que foi discutido para marcar os pontos principais e foca em resultados práticos.

Ascoli acha positivo quando são marcados novos encontros, porque pode ver a evolução de tudo o que foi falado e direcionar os próximos passos. “Queremos sempre aprender. Então, se você motiva a pessoa à curiosidade, a vida fica muito mais interessante”, acredita.

Mentoria inesquecível

Uma mentoria marcante feita por Ascoli ocorreu com um executivo de 45 anos, que acabara de virar diretor de uma unidade de negócios de uma empresa de transportes. A conversa concentrou-se nos diferentes tipos de liderança com os quais ele teria de lidar: para cima, com os pares e para baixo. “Precisa cultivar, gerenciar e nutrir as três, de maneiras diferentes”, diz. Ascoli também destacou a importância do relacionamento com a equipe, já que é dela que saem os resultados. Depois de outras sessões, o mentorado conseguiu implementar soluções e analisar o processo. “Foi como uma consultoria. Ele ficou muito feliz”, afirmou.