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Mentores Fora de Série: Ronney Teixeira Cardoso

Por top2you

Do comando de um pelotão do Exército à liderança de grandes corporações, Ronney Teixeira Cardoso construiu uma trajetória marcada por disciplina, resultados e compromisso com o desenvolvimento de pessoas. Sua carreira atravessou mais de três décadas, sempre com o foco em unir estratégia e gestão humana.

Formado em Publicidade pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado e cursando doutorado em Engenharia de Produção pela UFSCAR, Ronney iniciou a vida profissional em 1990 como tenente de cavalaria mecanizada, comandando um pelotão na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Foi ali que aprendeu lições de liderança e resiliência que levaria para toda a vida corporativa. “A disciplina é importante, mas, para liderar, você precisa estar próximo das pessoas, mesmo nas situações mais críticas”, afirma. 

Primeiros passos

Dois anos depois, em 1992, Ronney começou a sua carreira profissional no mundo corporativo tradicional, quando foi contratado pela Gillette para ser trainee. Pouco tempo depois, ele assumiu a supervisão de marketing direto e telemarketing.

A partir de 1995, ingressou na PepsiCo, onde permaneceu por sete anos. Como gerente divisional, foi responsável pelo canal indireto e pela gestão de distribuidores, liderando operações de marcas como Gatorade, Quaker e a Pepsi. “Foi minha faculdade de como negociar para estar no maior número possível de pontos de venda”, diz.

O seu passo seguinte, em 2002, foi como gerente nacional de vendas na Danone. Conduziu estratégias de expansão, integração de equipes regionais e incremento de participação de mercado. Logo em seguida, em 2005, foi contratado como diretor comercial da General Mills, liderando políticas comerciais e fortalecendo a presença da empresa em canais de distribuição estratégicos.

No Grupo Arcor, entre 2008 e 2009, foi diretor comercial com foco na ampliação de vendas e na construção de relacionamentos. Em 2010, passou pela Parmalat como diretor comercial, atuando em um período de reestruturação da companhia no mercado brasileiro.

Ainda em 2010, entrou na Faber-Castell como diretor de cosméticos para a América Latina. Por lá, ficou cinco anos liderando a unidade de negócios, tendo vários países sob sua responsabilidade.

A sua fase seguinte na carreira envolve a atuação como CEO em empresas nacionais. Dicate Cosméticos, Litoband Indústria Gráfica e Tagia Comércio e Importação. Mais recentemente, foi diretor-geral da Dikma Facilities, um grupo de soluções em máquinas para limpeza, softwares de gestão e obras rápidas. Paralelamente, consolidou sua atuação como consultor e conselheiro na ROTA Business.

Mentoria: organizando ideias

Com a experiência de quem já esteve em quase todos os lados da mesa ‒ executivo, CEO, consultor e empreendedor ‒, Ronney vê a mentoria como um espaço para abrir caminhos, esclarecer dúvidas, para respirar e tomar decisões importantes com tranquilidade e baseadas nas melhores informações.

Ele afirma que traz para as conversas a disciplina do militar, o olhar estratégico do executivo e a sensibilidade do gestor que acredita no potencial humano. “Não estou aqui para dar respostas prontas. Estou aqui para provocar reflexões, ajudar a organizar ideias e para mostrar que resultados sustentáveis só vêm quando você cuida das pessoas”, afirma.

Hoje, Ronney segue combinando sua atuação como consultor no grupo Padre Cícero, mergulhador técnico e instrutor de mergulho pela PADI com a mentoria, sempre com a convicção de que a disciplina abre o caminho, mas é o respeito pelas pessoas que sustenta a jornada.

Mentoria inesquecível

Ao pensar nas suas mentorias, Ronney lembra o caso de um jovem gestor que ocupava uma posição de liderança em uma empresa de médio porte. Ele era reconhecido pela capacidade de resolver problemas complexos, mas enfrentava grandes dificuldades para engajar e reter sua equipe. “A rotatividade era alta, os resultados demoravam a aparecer e o clima organizacional refletia tensão e distanciamento”, lembra.

Nas primeiras conversas, Ronney percebeu que o problema estava na forma como o gestor se relacionava com seu time. “Havia muito foco na cobrança e pouco espaço para diálogo, reconhecimento e desenvolvimento individual. Ele queria que as pessoas entregassem mais, mas não percebia que estava deixando de lado a construção de confiança”, lembra.

O trabalho de mentoria foi estruturado em etapas. Primeiro, promover a consciência sobre o impacto do seu estilo de liderança. Depois, desenvolver práticas para melhorar a comunicação e a escuta ativa. Por fim, implementar rituais de acompanhamento que valorizassem não apenas os resultados, mas também os comportamentos e as atitudes do time.

A mudança começou por pequenos gestos: feedbacks mais construtivos, reuniões menos centradas em números e mais voltadas a entender desafios individuais. Com o tempo, o clima no time mudou, o engajamento aumentou e os resultados começaram a crescer de forma consistente. “Foi um processo que me marcou porque mostrou que, muitas vezes, a virada não vem de um curso ou de uma ferramenta nova, mas de uma mudança de postura. E isso exige coragem e humildade para reconhecer que, como líder, você também precisa se transformar”, conta.